JULIANA CAPITANI ESCREVEU:
Sono velado
Um lindo salão - estilo art déco.
Um belo caixão - ébano, prata.
Cadeiras nos dois lados do ataúde, algumas pessoas sentadas, chorando; outras de pé, conversando.
Todos trajando negro.
Sem muita consternação, a razão traz a inevitabilidade dos fatos.
As únicas flores trazidas são copos-de-leite.
Os cálices brancos destacam-se no sombrio cenário, iluminado por suaves luzes, amarelas e indiretas.
É inverno, mas as pesadas cortinas de veludo isolam o ambiente, deixando apenas a gélida falta invadir os corações que ainda batem.
Além do murmúrio, apenas Nocturne in E flat, Op. 9 No. 2, de Chopin.
Vestido preto, reto, alinhado, ajustado, uma rosa vermelha entre as mãos frias.
Pálida, serena, misteriosa - eu e a morte.

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